PIERRE KWENDERS COM ANIMAÇÃO AO VIVO DE ANTÓNIO JORGE GONÇALVES
Sábado, 23 DE MARÇO | 23h00 | Cinema São Jorge | Sala 2

Em parceria com a festa da FRANCOFONIA

Numa sociedade em que nos é pedido para escolher um só rótulo que nos defina, a música do cantor e compositor afro-canadense Pierre Kwenders é um desafio à norma.

Ainda que varie entre estilos como icy R&B e hip-hop futurístico, a sua maior inspiração é a rumba congolesa, som único e característico da República do Congo. Com o seu novo álbum, MAKANDA at the End of Space, Beginning of Time, Pierre procura igualar o sucesso do seu álbum de estreia. Produzido em Seattle por Fly Guy Dai (também conhecido como Tendai Maraire, membro do duo musical Shabazz Palaces), o novo álbum começa com o batuque caseiro dos Bantus e evolui até um som mais instrumental, numa harmonização entre a forte influência africana e o hip-hop da West Coast da velha guarda, exclusiva de Pierre Kwenders. MAKANDA contém a herança de uma África moderna em que a rumba congolesa está na vanguarda. O álbum, gravado em Seattle, foi produzido por Tendai Baba Maraire, membro do duo Shabazz Palaces (sub pop records). A intensidade e profundidade da música de Pierre Kwenders estão presentes em todas as onze faixas do álbum, e são um ponto de ligação entre os estilos new wave, rumba trap e indie afro na música. Os pilares do álbum são ainda as quatro línguas em que Pierre canta (lingala, francês, inglês e Xona) e que lhe oferecem opções líricas e estéticas vedadas à maioria dos outros artistas.

Este álbum coloca Pierre na dianteira da música afrocêntrica em Montreal. “Queria que a música – tanto aquilo que digo como a forma como o digo – refletissem certa sensualidade. Existe uma enorme variedade de músicas cujo tema é o amor neste álbum, e quis dedicá-lo especialmente às mulheres”, explica o artista. A sua ode ao amor é visível na incrivelmente sensual música Sexus Plenus Nexus, na canção Zonga, onde se relembra um amor de infância, e em Rendezvous, onde se canta o desejo de levar a mulher de sonho a Paris. A força que as mulheres da vida de Pierre lhe dão inspira assim o título MAKANDA (“força” em Tshiluda).

Pierre teve colaborações com imensos artistas talentosos de Seattle, tais como SassyBlack, Tanyaradzwa e Hussein Kalonji (membro do grupo Chimurenga Renaissance), a quem se deve a maioria dos solos de guitarra neste álbum. Também trabalhou com o rapper Ish (Ishmael Butler), o segundo membro de Shabazz Palaces, vencedor de um Grammy e antigo membro do lendário grupo Digable Planets.